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Em busca das raízes africanas (parte 2)


Ao contrário da colônia italiana e do distrito alemão (leia a parte 1 aqui), nada indica que você está chegando na comunidade quilombola de Ilhotinha, também no Sul de Catarina.

Nas placas de ruas e comércios não se vê nenhum nome de origem africana ou qualquer referência aos heróis da brava resistência negra.

O apagamento da memória africana não é um acaso, é um projeto.

Poucas páginas dos antigos livros de história da região sul de Santa Catarina falam da escravidão e quando falam, a retratam como branda. Embora brandura e escravidão sejam completamente antagônicas.

Mesmo assim, novas pesquisas mostram que a escravidão por aqui não foi branda e muito menos pacífica.

Nos registros criminais dos séculos 18 e 19 há casos de fugas, pequenas insurreições e assassinatos de senhores por seus escravizados. Eles chegaram a planejar uma revolta. A ideia era matar todos os brancos, poupando apenas as crianças e mulheres. A ação foi debelada em 1885, na cidade de Laguna, um porto escravista com muita movimentação entre a corte e o Sul do Brasil.

Se a revolta desse certo, os escravizados iriam fugir para o Quilombo da Ilhotinha, que estava sendo povoado com a chegada dos primeiros fugidos e foi ganhando moradores libertos e alforriados.

Visitei essa comunidade quilombola numa tarde quente de sábado, com nuvens de chuva se formando no horizonte desde o meio-dia.

No centro cultural comunitário, na escolinha simples com apenas duas salas de aula, estava sendo realizada uma oficina musical de ritmos africanos com o músico Luciano Candemil.




A escola, que tem o simbólico nome de Resistência, estava lotada de moradores naquela tarde. As paredes estão cheias de cartazes com referências a heróis e heroínas negros e negras.

O som da oficina musical tomava conta do ambiente e o mais difícil era deixar mais do que só o pé bater discretamente no chão no ritmo do congo. A vontade era a de pegar um instrumento e aprender também.


Pai Bil

Uma pessoa me chamou a atenção na roda enquanto tocava. Era um jovem com as vestimentas brancas da umbanda. Esperei pelo intervalo para conversar com Jhonatan Mendes Balduino, o Pai Bil, do terreiro do caboclo Cobra Coral.

Pai Bil, filho de Ogum Sete Ondas e Yemanja, enfrentou o preconceito e a resistência da mãe para recuperar os dons da sua bisavó, uma benzedeira.

“A minha bisavô já benzia, mas naquele tempo, a religião era bem mais criticada. Era bem mais difícil ter um terreiro, era muito demonizado. Todos os meus familiares já vieram com os orixás de berço, mas não continuaram o desenvolvimento. Eu sempre gostei e dizia pra minha mãe, desde os 14 anos, que ia jogar bola, mas na mochila botava roupa branca e ia pro terreiro. Eu já tinha um amor por aquilo ali. É como dizem: se não entra pelo amor, entra pela dor na religião, mas eu graças a Deus entrei pelo amor”

Como o assunto iniciou pelo que me chamou a atenção nele, aproveitei para tratar de entender um pouco mais sobre essas religiões, que no caso do candomblé, tem mais de cinco mil anos de história.

“As entidades em si, o Exu, a Pomba Gira, por exemplo, nenhum deles vai fazer o mal, porque eles estão buscando a evolução espiritual, a luz! Então se tu vai fazer o mal com aquela entidade, não vamos dizer que aquela entidade não vá fazer o mal, mas se tu for fazer o mal com aquela entidade, é uma luz que ele perde.. O mal está dentro da própria pessoa. Se tu tens o mal dentro de ti, não adianta tu estar num terreiro, porque a tua própria áurea já está expressando coisas ruins através do ambiente e quando tu entra e tu quer o bem, tu só vai evoluir espiritualmente”.

Se por um lado, os entrevistados descendentes de alemães e italianos que reclamam que a nova geração não dá mais tanto valor as raízes, Pai Bil é um jovem negro que busca essa ligação. 

A falta de documentação é superada pela oralidade.

“O meu falecido avô dizia que a gente é descendente de escravos. Eles moravam na Barreira do Siqueiro e vieram se mudando até parar aqui na Ilhotinha. Todos eles falavam muito do trabalho que passavam na roça, e engenho de farinha e do passavam por causa da cor da pele”

Além das histórias dos mais velhos, Pai Bil contou que os caboclos e pretos-velhos trazem relatos que deixam o pai de santo emocionado.

“O pouco que a gente sabe já nos deixa muito orgulhosos e querendo saber mais. Quando eu vou na casa da minha mãe eu já pergunto se ela sabe mais alguma história que ela ainda não contou. Nós até buscamos isso muito nos pretos-velhos, que quando estão em terra contam as histórias deles, do que eles passavam, da escravidão e eles contando aquelas histórias a gente se sente... ah, não acho palavras para explicar porque é uma emoção de tu ouvir aquela história e sentir aquela dor do que eles passavam naquele tempo, o quanto era sofrido, de morrer a chibatada”.

Entre essas memórias tem as de uma preta-velha, parteira, morta a chibatadas.

“Ela com toda a sua fé orou, orou e pediu para que nosso pai Oxalá ajudasse esses dois e ela conseguiu salvar e ela também contava que vinham crianças com problemas de saúde e eles escondiam e levavam para os quilombos, porque elas seriam mortas pelos senhores. E ela conta também uma vez que ela não conseguiu salvar o filho de uma sinhá e ela foi morta a chibatada. A gente sente a tristeza na história, mas também sente a alegria dessa entidade poder vir hoje e salvar a vida de várias pessoas”


Tinho


Fiquei sabendo da oficina de música através do professor José Carlos Mendes, o Tinho. Logo no nosso primeiro contato por whatsapp, ele sugeriu para marcarmos nossa entrevista lá mesmo.

Por isso, a primeira preocupação foi fugir do som para gravar a conversa. Quando estávamos caminhando até a sombra de uma árvore para a nossa conversa, o chinelo de Tinho arrebentou, numa típica cena brasileira.

Com humildade ele se abaixou, pegou a sandália maltratada pelo uso, ajeitou a tira que muito provavelmente já deve ter arrebentado outras vezes, largou o chinelo no chão, o calçou e mais uma vez sorriu largamente.

Tinho é Griô daquela comunidade quilombola.

Os griôs, na tradição africana, são os responsáveis por transmitir as histórias e os conhecimentos para as novas gerações. Eles são os guardiões da memória oral de um povo.

Comecei a conversa com o professor Tinho, comentando sobre a falta de identificação na chegada da comunidade.

“Estamos muito descaracterizados enquanto comunidade e eu te digo o porquê: nós somos filhos de uma cidade maior, Tubarão e nós vivemos num tempo em que não tínhamos eletricidade, nada disso. Vivíamos muito distante. Depois disso veio a emancipação de Capivari. Somando-se a isso nós temos uma rodovia federal que corta o município e mais ainda: sociologicamente nós temos o fenômeno das migrações européias, que é muito forte na nossa região. Então a nossa comunidade está muito misturada e vamos perdendo nossas características próprias e preservando o que é possível”, teorizou o griô.

Depois quis saber se Tinho enxergava algo melhor no futuro para a população negra. Ele não foi de todo pessimista, embora reconheça que há muito trabalho para ser feito:

“Nós somos a maioria no Brasil, mas essa desigualdade por conta da cor da pele é gigante e nos traz muitos malefícios, muitos prejuízos, em especial para as crianças, para a educação, para a nossa saúde, em todos os sentidos. Para um povo que construiu muito desse país, as cidades históricas, enfim, derramou suor, derramou lágrimas, porque muitas vezes apanhava trabalhando, nós precisamos reparar. A política de cotas que muitos acham que não deve ser colocada em prática é o que nós temos até o momento de melhor para essa reparação e a gente vai lutando porque não é fácil”.

De repente, aquilo que era apenas uma ameaça ao longe, virou trovoada e chuva, que apesar de refrescar, iria nos atrapalhar.

Voltamos para a escola e torci para ter um local em que o celular conseguisse captar a fala de Tinho, mesmo com a música que vinha da oficina. Fomos para uma pequena e empoeirada sala. Tentei abrir as janelas basculantes para refrescar o calor que fazia, mas elas estavam emperradas.

Pelo menos o celular deu conta do recado e continuei querendo saber de Tinho sobre o conhecimento das origens dos descendentes de africanos no Brasil.

“Hoje é muito comum se fazer um estudo da árvore genealógica, mas não para nós. Para os africanos isso não existe”, lamentou.

Ainda assim, Tinho revela algumas estratégias para resgatar as raízes:

“Uma coisa que eu observo muito, as características dos negros, tanto da Bahia, quando do Rio de Janeiro, todos tem assim características que são comuns, embora eles tenham sido separados para não houvesse organização, mas houve ali alguma coisa talvez do sangue que prevaleceu. Talvez tenham ficado mais pessoas naquele local. Então assim: na Bahia a gente vê uma caracterista predominante, no Rio de Janeiro é bem diferente, o negro do Recife já é outra, como também o negro do Sul, que veio mais da região de Angola e do Zâmbia”.

Dessa forma, Tinho tem suspeitas sobre o lugar de origem dos seus antepassados:

“Acho que eles são do Senegal”, respondeu o griô, muito mais com o coração do que a razão: “Talvez é porque eu quero que seja”, confessou.

A falta dessa certeza faz muita falta para o griô Tinho mas se ele pudesse descobrir de onde vieram mesmo os seus ancestrais, ele faria “amanhã mesmo”.


Paulão



Depois de alguns desencontros, consegui marcar para encontrar o professor Paulo Henrique Lucio, mais conhecido como Paulão. Eu sabia que teria muito o que aprender com o professor e pós graduado em História, mestre em Educação, ex-vereador por duas vezes pelo Partido dos Trabalhadores e ativista do movimento negro de Tubarão, cidade do Sul de Santa Catarina.

Cheguei na escola estadual que Paulão dá aulas no horário marcado.

O guarda no portão da frente me direcionou até a sala dos professores, onde Paulão já esperava por mim.

A sala dos professores é daquelas tradicionais de uma escola estadual: tem uma mesa enorme ao centro e várias cadeiras com pés de ferro, armários e cartazes institucionais.

Pedi para o professor Paulão desligar um dos dois ventiladores de parede, para que não nos atrapalhasse na gravação. Como estava muito calor, não quis pedir para fechar as janelas e por isso o som do trânsito disputou, algumas vezes, as respostas do historiador.

Comecei quebrando (ou seria melhor, derretendo por causa do calor) o gelo querendo saber como Paulão se tornou o que ele é no movimento negro:

“Meu berço de luta foi a pastoral da juventude, depois fui para o movimento estudantil, movimento negro, sindical, eu tramitei por tudo isso ai. Hoje eu trabalho na escola de fé e política da diocese de Tubarão”.

Contrariando o que a história oficial do Sul do Estado conta, Paulão é um crítico ferrenho dessa linha que ameniza a escravidão e o seu legado nessa região.

“Dizem que no Sul a escravidão foi amena. Mas só o fato do cara ser escravo já não tem como ter sido amena. Não tem amenidade na escravidão, não tem grau maior ou menor, se tu é escravo. Hoje tem rua coronel fulano de tal, coronel ciclano de tal. Tu sabe onde está o mausoléu da família que era escravocrata e eu pergunto: onde estão sepultados os escravos?”.

Quis saber, então, dele, como historiador, se ele havia conseguido descobrir a sua origem e até onde ele teria ido em sua árvore genealógica

“Por história oral cheguei até a minha bisavó. Foi uma negra batizada em livros separados. A minha mãe e meus tios diziam que a minha bisavó era a Marcolina. Ai estou lá pesquisando e achei em um caderno de batismo escrito ‘batizei e pus os santos óleos na inocente Marcolina, filha de Margarida tal’, mas não aparece o pai.”

Sobre a história da bisavó de Paulão, ele faz cálculos para supor que ela foi escravizada.

“Eu faço a conta. Eu, minha mãe, minha avó e minha bisavó. Então eu seria a terceira geração de negros livres. Isso para história é pouca coisa. Se eu tivesse conhecido o meu bisavô eu teria conhecido um negro que foi escravizado. O meu avô por parte de mãe nasceu em 1892, muito próximo da Lei Áurea. Ele foi um adolescente que cresceu sobre a sombra e os auspícios da escravidão”.

Sobre a Lei Áurea, Paulão refletiu sobre o que veio depois.

“Dia 13 foi festa, mas e o dia 14? O que aconteceu? Nem na fazenda podiam ficar. Muito menos na praça, porque seriam presos por vadiagem. Se eu não posso ficar na praça, se eu não posso ficar na fazenda, eu vou pro morro. O resultado hoje é que a maioria dos moradores dos morros e favelas são negros”.


Uma das dificuldades que sempre encontrei pesquisando sobre a escravidão na região Sul do Brasil, é descobrir a procedência africana desses escravizados. No entanto Paulão me disse que os estudos mostram que a grande parte dos negros que vieram para cá são negros negociados no mercado interno e que poucos vieram diretamente da África.

“Como você está na periferia da colônia, talvez aqui a fiscalização fosse um pouco menor, fosse menos”, explicou Paulão, os motivos desse mercado.

Sobre as suas origens africanas, Paulão tem evidências, mas que fazem sentido.

“Se tu olhares por exemplo o biotipo aqui da região, do km 60, a região da minha mãe, já são mais de estatura mediana, tipo na Estiva também. Tem uns negros aqui de Jaguaruna que já são mais compridões. Uma vez eu estava em Porto Alegre fazendo curso e teve uma irmã religiosa que trabalhou muito tempo em Angola, ela olhou meu biotipo e disse: tu é um muzimba, negros altos de uma tribo da região de Moçambique. Diferente de um que estava para ser padre, que tinha um metro e cinquenta. Ele já é mais o estilo dos negros da Costa Guiné, os minas”.

Embora Paulão siga essas pistas, o fato de não ter certezas e comprovações dos antepassados, fazem muita falta para ele.

“Cara é igual uma criança que não sabe quem é o pai. Eu ajudo as pessoas a encontrarem o bisavô, a família tal e eu não posso fazer isso para mim. Eu me lembro quando eu pesquisava, no tempo do Amadio Vitoreti, ele dizia para eu nem olhar os documentos da escravidão. Mas quando eu percebia, estava envolvido. Ultimamente agora eu pesquisei uma escrava que tinha três filhos criança e estavam vendendo as crianças. Você vende o outro assim, como se fosse animal. O olhar, por mais que a gente tente ser imparcial, ter um olhar de historiador, de um cientista, tem hora que o teu ser enquanto sentimento, teu conjunto de afetividades, de sonhos, de vontades, entra ali na cena”.

Apesar dos privilégios que os descendentes de italianos e europeus desfrutaram quando chegaram ao Brasil em relação aos escravizados africanos, Paulão reflete o problema com mais profundidade e aponta os motivos que podem ter transformado a nossa região no que ela é hoje quando o assunto é igualdade racial.

Quanto a colonização européia no Sul do Brasil, Paulão concorda que italianos e alemães também passaram muito trabalho para se estabelecerem, mas tem uma teoria sobre a divisão informal que existe na região.

“A formação do Brasil é muito traumática. Eu costumo dizer que nós somos formados pelo invasor, o invadido e o trazido. O invasor é o europeu, o invadido é o nativo e o trazido é o negro. E é traumático conviver com isso. Os imigrantes tardios também se ferraram. Olha a nossa região, onde é Treze de Maio hoje, aonde é Pedras Grandes hoje. É bonito pegar o carro hoje, pedalar, a estrada é bonitinha, mas imagina os caras tendo que abrir picadas e entrar em confronto com os primeiros moradores, que eles apelidaram de bugres. Chegar com a tua família, a sua esposa ser assediada por um cara e tu vai dar queixa e o mesmo que tu vai dar queixa é o mesmo que assediou. Olha quem somos, como nós nos formamos. Nos formamos num caldeirão de ódio. ‘A minha filha não casa com um pelo duro’, diziam os italianos. Os alemães também só se casavam entre eles. Cada um viveu os seus traumas aqui e ficou no seu gueto. E até hoje isso ainda é muito latente, presente nos comportamentos. Eu não estou dizendo que não mudou, eu estou dizendo que continua ainda essa atmosfera preconceituosa. Basta abrir a porta que o ar preconceituoso entra de alguma forma. É o tipo do cara que diz ‘eu não sou racista porque tenho amigos negros’. Ou quando o cara faz um ato de misoginia ou qualquer outro ato de preconceito, o que ele diz? ‘Quem me conhece sabe’. Se tu errou, peça perdão, desculpas”

Enquanto no Brasil conforme dados mais recentes do IBGE, 56% da população se considera preta, em Santa Catarina, que é estado com a menor população de pretos do país, essa porcentagem, em dados também do IBGE, de 2010, é de apenas 15,5%, sendo que, este número é a soma dos 12,6% das pessoas que se consideram pardas e das 2,9% que se consideram pretas. Por isso quis saber do professor Paulão se é mais difícil ser negro no Sul do que no resto do país.

“É difícil ser negro em terra de branco. É difícil ser mulher em terra de machista. É difícil ser ateu em terra de gente fanática. Em qualquer lugar desse país vai ter sempre uma piada sobre o negro. Quando o juiz de futebol é negro, antes de ser chamado de filho daquela, se diz ‘seu negro filho da p…’. Eu nunca ouvi dizer ‘seu branco filho da p…’. Então em qualquer lugar desse país, pela sua história de mais de 300 anos de escravidão, pelo seu patriarcalismo, a casa grande não foi desmanchada. As favelas foram removidas para os morros, mas a casa grande continua funcionando”.

No final da conversa, quis saber de Paulão se o futuro é mais de esperança ou desesperança para os negros do Brasil.

“Eu sempre fui um sujeito da utopia, do sonho, da esperança. Claro que a mudança não acontece a passos largos. Mas o que eu penso: os antepassados tinham correntes, estavam presos. Eu estou livre pra lutar, eles fizeram isso por mim, tiraram as correntes”.


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